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Dinossauros do Brasil voltam à vida em realidade virtual

Projeto Dinos do Brasil deve estrear no museu Catavento Cultural em dezembro de 2016, mas ainda depende da obtença de recursos pela Lei Rouanet e ProAC

Por Bruno Capelas Blogs Estadão

Estou perdido em uma planície: à minha esquerda, um grupo de uberaba titãs – dinossauros herbívoros que habitavam o Triângulo Mineiro e tinham mais de 15 metros de altura – fazem o seu café da manhã. À minha direita, se aproxima um abelissauro: bípede, carnívoro e selvagem, ele surge voraz pela planície para devorar os uberaba titãs. No meio do caminho, ele rosna para mim. Não se trata de um sonho ou filme de ficção científica. É a apresentação de realidade virtual Dinos do Brasil, que deve estrear no museu Catavento Cultural, em São Paulo, em dezembro de 2016.

Criado pela VR Monkey, startup incubada no Cietec, dedicada a conteúdos em realidade virtual criada em 2012 por ex-estudantes da Universidade de São Paulo, o projeto Dinos do Brasil quer usar a nova tecnologia de imersão para mostrar as 25 espécies conhecidas de dinossauros brasileiros.

“Se você vai no cinema ver um filme de terror, você pode se assustar, mas se olhar para o lado, vai ver seu amigo ou um balde de pipoca. A realidade virtual é diferente: você está ali, no meio da cena, imerso”, diz o engenheiro Pedro Kayatt, um dos fundadores da VR Monkey.

Primeiro projeto de realidade virtual a ser aprovado para utilizar recursos da Lei Rouanet, o Dinos do Brasil atualmente encontra-se em fase de captação de recursos. No total, a startup precisa de R$ 2,9 milhões para colocar o projeto no ar. Além da lei de incentivo à cultura do governo federal, a apresentação também está inscrita no Programa de Ação Cultural (ProAC), do governo do Estado de São Paulo.

Com o valor, a VR Monkey pretende investir no desenvolvimento de uma um tour de 20 minutos que mostra uma visão 360 graus pelo Brasil da era Mesozóica com a ajuda dos óculos de realidade virtual Oculus Rift.

A empresa também mira a cenografia da sala em exposição permanente no Catavento Cultural, o treinamento de monitores e a criação de apostilas educativas, a fim de ressaltar o lado pedagógico da atração. “O Dinos do Brasil é +pedagógico, mas também tem entretenimento”, ressalta Kayatt.

Para o engenheiro, fazer um projeto com realidade virtual em um museu de acesso popular, com programas especiais para escolas públicas, é também uma oportunidade de democratizar a tecnologia. “Às vezes, uma pessoa não se interessa por tecnologia porque não teve contato. Um garoto de 10 anos que ver a nossa apresentação pode se apaixonar pela tecnologia e querer trabalhar com isso”, afirma.

Gigante jurássico. Para a equipe da VR Monkey, uma das principais metas do projeto é se distanciar do filme Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros, lançado pelo diretor Steven Spielberg em 1993. “Temos dinossauros muito mais legais que o T-Rex, que todo mundo conhece por causa do filme”, diz a engenheira Keila Matsumura, cofundadora da VR Monkey.

“Foi um filme que aumentou o número de paleontólogos, mas fez muitas coisas erradas. O som dos dinossauros no filme é totalmente inventado, não é de verdade”, argumenta Kayatt. Para ele, a precisão dos rugidos e barulhos dos dinossauros é um dos maiores desafios da equipe.

A precisão científica fez o time da VR Monkey trabalhar ao lado de paleontólogos, paleoartistas (profissionais responsáveis por desenhar dinossauros) e paleobotânicos (que estudam a botânica da pré-história) da Universidade de São Paulo.

“Queremos retratar os dinossauros brasileiros como animais, e não como criaturas monstruosas”, diz Kayatt. “O dinossauro tinha pena e parecia uma galinha? Então vamos mostrar isso. Vamos mostrar os ovos rachando, as mães cuidando dos filhotes, os abelissauros caçando, tudo isso em 20 minutos de apresentação”.

Além dos dinossauros, o grupo também estuda o relevo, o clima e a vegetação presente no Brasil na época dos dinossauros. “O Brasil nem sempre foi uma floresta tropical. Já tivemos até desertos”, diz Kayatt, que revela ter mergulhado nos estudos de biologia para desenvolver o projeto.

Outra preocupação da equipe é com a saúde dos (pequenos) visitantes: para isso, a equipe limitou a visita a atração para crianças a partir dos sete anos de idade. Antes disso, estudos mostram que utilizar realidade virtual podem trazer riscos ao desenvolvimento do campo visual. No entanto, a tecnologia pode servir para auxiliar o aprendizado em pessoas com condição especial. “Meu irmão tem paralisia cerebral e testou o Dinos do Brasil. Ele se sentiu tão imerso que, quando chovia, ele estendia a mão para tocar as gotas de água.”

Além do Dinos do Brasil, a VR Monkey também já abre os olhos para um segundo projeto com foco educativo: o 7 VR Wonders. “Será uma recriação das sete maravilhas do mundo antigo em realidade virtual”, diz Kayatt. “Já pensou poder ter uma aula de história andando debaixo do Colosso de Rodes?”, diz o engenheiro, entusiasmado com o próximo projeto.

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