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ESTUDO APONTA SÃO PAULO COMO CAMPO PARA STARTUPS

Para os estudantes de engenharia elétrica da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), encontrar um espaço na incubadora ligada à instituição, o Cietec, seria o caminho mais curto para transformar projeto em produto de mercado. Em 2010, submeteram a ideia ao órgão e foram aprovados. Um ano e meio depois, a startup criada por Antonio Rossini e um colega de curso tornou-se a empresa mais rápida da história da incubadora a concluir a graduação.

Três anos depois de ser aberta, a RFIDEAS, desenvolvedora de soluções para gestão em tempo real de ativos em tecnologia da informação em data centers, foi eleita a segunda melhor startup do Brasil pelo Desafio Brasil, chamando a atenção de investidores. Quatro anos após a abertura, tornou-se a primeira startup a receber aporte do SP Ventures, fundo ligado ao programa Desenvolve SP.

“Eu diria que só nos transformamos no que somos hoje em apenas quatro anos porque estamos em São Paulo, uma cidade que soma ingredientes indispensáveis para o nascimento e crescimento de uma empresa de tecnologia”, afirma Rossini. “Aqui estão as principais universidades, o mercado para validar a ideia, os principais clientes, além de incubadoras, aceleradoras, fundos de investimento e mão de obra qualificada.”

E Rossini não está errado. Maior centro econômico do país, a cidade de São Paulo foi apontada como a melhor opção para quem quer criar uma startup de tecnologia na América Latina, segundo o estudo Global Startup Ecosystem Ranking 2015. Ocupa a 12ª posição no levantamento realizado pela Compass, desenvolvedora de softwares para empresas de tecnologia, que mapeia os 20 melhores ecossistemas de startups do mundo desde 2012.

Na liderança aparecem Vale do Silício, Nova York, Los Angeles, Boston e Tel Aviv. As cidades foram avaliadas nos quesitos performance, disponibilidade de capital, alcance de mercado, talento e capacidade de exportar startups internacionalmente.

O estudo aponta como pontos fortes de São Paulo a disponibilidade de capital, performance das startups e alcance de mercado. Porém, revelou a necessidade de melhoria em três pontos importantes: a baixa disponibilidade e o custo elevado dos talentos; a dificuldade de exportar empresas com esse perfil e a falta de uma cultura de startup, com poucos experts disponíveis para transferir as suas experiências aos novatos.

E a dificuldade é comprovada na prática. Pelo menos é o que afirma Carlos Alberto Mira, sócio fundador da Trunck Pad, plataforma da área de logística que conecta caminhoneiros a cargas. “Não nascemos dentro da universidade, tivemos apoio do diretor executivo Sérgio Risola, do Cietec, que acreditou no nosso projeto em escala global, mas não encontramos tantas cabeças pensantes que nos ajudassem como acontece nos Estados Unidos, por exemplo”, afirma o empreendedor. “Se dependêssemos apenas do ambiente da cidade de São Paulo, ou do próprio cenário nacional, não teríamos alcançado escala e estrutura tão rapidamente. Isso veio em decorrência, principalmente, dos seis meses que passamos incubados no Vale do Silício”.

Se olharmos apenas o posicionamento de São Paulo em um ranking de 20 cidades, fica claro que é preciso evoluir – e muito -, mas se analisarmos que o movimento de criação de startups é relativamente novo no país, assim como a presença de investidores anjo e fundos, não é difícil perceber que a evolução foi grande. “A cidade é a capital financeira do país, aqui se concentram 75% dos investidores e é o cenário ideal para validação de qualquer negócio, afinal na capital paulista estão concentrados os clientes que a maioria das startups necessita”, afirma Guilherme Junqueira, presidente da Associação Brasileira de Startups.

Junqueira concorda, porém, que não basta formar talentos, é preciso saber onde encontrá-los e, talvez aí, esteja o principal gargalo não só da cidade, mas do ecossistema brasileiro como um todo. “Enquanto as empresas não trabalharem mais próximas das universidades, de forma mais colaborativa, com maior compartilhamento de conhecimento e experiências, esses talentos não serão atraídos”, afirma.

Isso, sem contar que em boa parte do país ainda se cultiva o sonho do bom emprego e do concurso público, com baixo incentivo a quem quer transformar ideia em negócio, mesmo que para isso seja necessário quebrar mais de uma vez. “Embora tenha alcançado pontuação menor neste quesito, afirmo, sem medo de errar, que a cultura empreendedora é um dos diferenciais da capital paulista”, afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures e gestor do Fundo Inovação Paulista, idealizado pela Desenvolve SP. “Há cidades com PIB elevado que poderiam ser polos importantes para a geração de startups, mas que têm a cultura do funcionalismo público arraigada, o que inviabiliza o crescimento do processo.”

Link original da matéria: http://www.valor.com.br/empresas/4201882/estudo-aponta-sao-paulo-como-campo-para-startups

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