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Fundos apontam o caminho das pedras

 

03/02/2010

Fonte: Cietec.Info

Empresas de gestão de recursos financeiros investem milhões em pequenos, porém, promissores projetos. Além do dinheiro para impulsionar os negócios, o suporte à gestão estimula o desenvolvimento de novas ideias. Mas o que pensam exatamente os chamados fundos de investimento sobre o universo das incubadoras e parques tecnológicos?

Especialistas e gestores de fundos de investimento são otimistas quando o assunto é o cenário de financiamentos de capital de risco no Brasil. Alguns deles são contundentes em dizer que a queda na taxa de juros é uma tendência irreversível no momento, o que deve atrair investimentos para fundos que lidam com capital semente, como são chamados os aportes feitos em uma fase ainda inicial do projeto com o intuito de criar um modelo de negócio sustentável para uma empresa nascente.

“O fato de termos uma taxa menor do que 10% faz com que os investidores, sejam estes pessoas físicas, grupos privados ou até mesmo internacionais, procurem alternativas de investimento que, eventualmente, remuneram melhor o seu capital”, analisa Marcelo Romeiro, sócio e gestor de fundos da Rio Bravo, uma das principais empresas brasileiras do setor.

Marcio Bernardo Spata, gerente do Departamento de Fundos do BNDES, também acredita que o momento econômico do País é muito favorável a investimentos dessa natureza. No entanto, Spata acredita que os investimentos em pequenas empresas inovadoras ainda provêm, em sua maior parte, de recursos públicos. “Uma simetria do mercado aponta que ainda são muitos os riscos de se investir em algo cujo retorno não foi provado. Essa é a grande insegurança do investidor ao analisar, por exemplo, um negócio nascente em um ambiente de empreendedorismo e inovação como um parque ou incubadora”, pontua.

Ainda segundo Spata, o desenvolvimento do Fundo Criatec, que investe em ideias e projetos inovadores desde 2007, comprova essa teoria. “Ele foi criado para transformar grandes projetos em negócios. Mais do que o incentivo financeiro, ele busca desenvolver o espírito empreendedor dentro dessas empresas de uma maneira sólida e com visão de futuro. Por isso, a seleção é rigorosa. Só com esses parâmetros é que conseguimos traduzir para o mercado a segurança de um modelo de negócio que está surgindo”, completa.

Em 2008, apenas 21 das 800 empresas analisadas pelo Fundo Criatec receberam investimentos. Cada um delas recebe R$ 1 milhão. Com base nos resultados obtidos por essas empresas, depois de um ano, algumas delas recebem um segundo investimento, que pode chegar a R$ 3 milhões.

O gestor também afirma que, ao receber o investimento de um fundo de capital de risco, a empresa adquire um posicionamento diferenciado. “Os clientes sabem reconhecer empreendimentos que passam por auditorias rigorosas e que têm as suas contas em dia. Isso agrega muito valor a sua marca. Além disso, a grande rede de relacionamento que o fundo proporciona a essas empresas é algo a ser considerado como diferencial”, completa.

Parceria de sucesso
Há pouco mais de dois anos, a Adespec, empresa fornecedora de soluções de adesivos e selantes de alta tecnologia para indústrias e construção civil, incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), viu seus negócios tomarem proporções até então inimagináveis. Em janeiro de 2007, a empresa foi selecionada para receber investimentos de um fundo de capital administrado pela Rio Bravo. De lá para cá, a capacidade de produção aumentou aproximadamente 20 vezes e o tamanho da fábrica está 12 vezes maior.

“Além de atingir grandes mercados do varejo com um de nossos produtos, tivemos a oportunidade de investir em tecnologias vindas da Europa e da China”, afirma um dos diretores da Adespec, Flávio Lacerda. Ele calcula que a empresa deve fechar o ano de 2009 contabilizando faturamento em torno de 8 a 12 milhões de reais.

Os produtos e serviços na área de fixação e selagem de vidros e boxes também renderam grande visibilidade à Adespec. Atualmente, a empresa está entre as líderes do Brasil no setor. “Por meio desses investimentos, foi possível levar ao conhecimento do público e do mercado uma ideia inovadora”, completa Lacerda.

“Depois de dois anos, percebemos que, mais do que potencial, a empresa tem conseguido estabelecer e atingir diversas metas que foram traçadas no início da parceria. É importante destacar que o investidor que adentra a um fundo que tem como foco este modelo de negócio precisa ter um pouco mais de paciência e saber desenvolver visão de médio e longo prazos, podendo variar de cinco a dez anos, ou mais. Afinal, investir em empresas nascentes em incubadoras e parques não significa adotar uma postura imediatista quanto à cobrança de resultados”, afirma Marcelo Romeiro, da Rio Bravo.

Passos ambiciosos
O apoio de investidores também impulsionou os negócios da Magnamed, empresa especializada em módulos inteligentes para equipamentos médicos. Em outubro de 2008, ela recebeu R$ 1 milhão do Fundo Criatec, do BNDES, para que suas ideias chegassem ao mercado. Desde então, a empresa já viu seu faturamento e capacidade de produção aumentarem seis vezes.

“Além do apoio comercial, o suporte para a operação da empresa e o trabalho de networking oferecidos pelos investidores são fundamentais para o sucesso”, afirma Wataru Ueda, presidente do conselho da Magnamed. Ele calcula que a empresa deva crescer 12 vezes mais até o final de 2009.

O empresário também aponta a governança coorporativa como um dos principais ganhos. “Ao criar funções como conselhos, diretorias em uma área administrativa que antes não existia, o gerenciamento melhorou consideravelmente. Dessa forma, podemos pensar futuramente em abertura de capital no mercado e novas aquisições”, complementa.

O reconhecimento internacional da Magnamed mostra que eles estão no caminho certo. Em outubro, a empresa recebeu duas certificações que abrem as suas portas ao mercado exterior. A Turv Nord, certificadora alemã de produtos e empresas de tecnologia, conferiu um certificado de gestão de qualidade e outro de permissão de venda nos produtos da Magnamed para toda a comunidade europeia.

O mercado de investimentos no Brasil
Os números de investimento de private equity e venture capital mostram que, assim como a gestão e a governança, o capital intelectual é o maior diferencial em termos de investimentos específicos em novas tecnologias, pois permite consolidar o empreendimento, principalmente sob o aspecto mercadológico.

A indústria de private equity e venture capital registrou um aumento de 53,4% entre 2004 e 2008, com participação de 1,7% no PIB brasileiro e 12% de participação no PIB dos Estados Unidos.

O Brasil também mostra um crescimento consistente da indústria com a evolução dos números para o capital alocado em investimentos e private equity e venture capital. Em 2005, foram investidos US$ 8,1 bilhões. Em 2006, US$13,3 bilhões. Em 2007, US$ 21 bilhões e, até julho de 2008, esse número já era de US$ 26,6 bilhões.


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