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Startups criam projetos voltados à eficiência energética

Mauro Vitorazo, diretor da Eficienergy

Mauro Vitorazo, diretor da Eficienergy

Redação O Estado de São Paulo

Eficiência energética e geração de energia solar são os temas que movem quatro startups instaladas no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec). A Eficienergy, de Mauro Vitorazo, por exemplo, fornece tecnologia que gera indicadores de performance de consumo de energia para redes de varejo, agências bancárias, lojas de departamento etc.

“Desenvolvemos o sistema de medição, algoritmos e cálculos de indicação de performance, mas temos um parceiro que acompanha os indicadores obtidos pelos clientes para ajudá-los a transformar esses dados em oportunidade de ganho de eficiência. Dar esse tipo de assessoria não é o foco do nosso negócio”, diz Vitorazo.

Segundo ele, o acompanhamento deve ser continuo para que os ganhos aumentem com o tempo. “As grandes redes precisam de ferramenta automática para monitorar o desempenho energético de suas unidades. Em dois anos usando o sistema, é possível obter de 20% a 40% de redução no consumo.”

Vitorazo afirma que o gerenciador de energia fornece as medições em tempo real, 24 horas por dia, que podem ser acessadas de qualquer local via web. O sistema também quantifica a emissão de gases de efeito estufa. “Com as quantificações precisas das emissões geradas a partir do consumo de energia, água e gás é possível monitorar as metas de emissões”, diz.

A Eficienergy já atende redes bancárias, de varejo e hospitais. “Temos cinco clientes de grande porte nesses segmentos. Em alguns, o sistema está em operação há mais de um ano.”

Engenheiro mecânico e administrador de empresas, Fernando Brucoli diz que teve a ideia para criar a EnerCycle enquanto tomava banho. “A temperatura ambiente estava em 15º e olhando o escoamento da água quente vi que saia vapor do ralo. Na mesma hora pensei que estava jogando energia fora. Peguei um termômetro e constatei que a temperatura da água no ralo era de 36º e da água que saía do chuveiro 40º. Fiz cálculos e conclui que pelo menos 80% da energia estava sendo desperdiçada.”

Para aproveitar a energia que literalmente escorria pelo ralo, Brucoli criou um sistema de ralo para armazenar a água quente e desviou para esse local a tubulação que conduz a água que vai para o chuveiro. “Dessa forma, a água chega quente ao chuveiro e reduz o gasto com energia.”

Ele conta que o sistema é semelhante ao da serpentina de chopp: um tubo enrolado que fica imerso no gelo. “O chopp passa por dentro desse tubo e sai gelado. Nosso sistema parte do mesmo princípio. A água que vem da caixa, ao invés de passar direto para o chuveiro passa por esse tubo instalado dentro do ralo”, explica.

O empreendedor conta que em 2004 entrou com pedido de patente. “Eu tocava o projeto em paralelo a meu trabalho de gerente geral de uma multinacional alemã. Mas como a crise energética tomou proporções assustadoras resolvi colocá-lo em prática e desde 2011 estamos na incubadora do Cietec.”

Fernando Brucoli, da EnerCycle

Fernando Brucoli, da EnerCycle

 

Brucoli afirma que 27% do consumo nacional de energia é residencial, sendo que o chuveiro elétrico responde, em média, por 26% do consumo residencial. “Logo, 7% do consumo nacional de energia é do chuveiro. Nosso ralo recupera 40% dessa energia”, afirma.

Segundo ele, se produto da Enercycle for adotado em larga escala nas novas construções do País, resultará em economia de 3% do consumo nacional. “Esse volume equivale a seis vezes o efeito do horário de verão, que economiza 0,5%. Isso só falando em residência. Mas ele serve para hotéis, academias, clubes, hospitais etc. O uso disseminado da peça pode representar redução de 6% do consumo nacional de energia.”

No momento, Brucoli realiza campanha de financiamento coletivo pela plataforma Kickante para obter recursos e iniciar processo de homologação da peça. “Espero que até o início de 2018 o produto esteja no mercado.”

A ideia de criar a Sun–Sim, especializada na construção de usina de energia solar, surgiu após o engenheiro eletricista Guilherme Susteras e outros colegas serem demitidos. “Minha missão na empresa era identificar oportunidades de negócio. Foi assim que descobri que nos Estados Unidos estão sendo construídas usinas solares de médio porte em área rural ou em telhado industrial. A energia gerada é distribuída entre consumidores residenciais que compram cotas mensais. Com alguns colegas, resolvemos investir nesse projeto.”

Guilherme Susteras, da Sun- Sim

Guilherme Susteras, da Sun- Sim

 

Desde fevereiro, a Sun–Sim está sendo incubada no Cietec. “Nos últimos meses, trabalhamos para levantar capital para construir nossa primeira usina. Devemos ofertar o produto a partir de 2017 na região de Montes Claros (MG).”

Segundo ele, a região norte de Minas Gerais reúne as melhores condições para instalar esse tipo de usina: ótima radiação solar, boa infraestrutura para escoamento de energia e mão de obra qualificada. “A Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), buscava parceiro para viabilizar esse tipo de projeto e fechamos parceria.”

A usina está sendo construída em terreno pertencente à entidade. “A energia gerada será capaz de abastecer até 300 imóveis residenciais dentro da área atendida pela Cemig. Essa energia será jogada na rede e quem quiser consumi-la poderá adquirir cotas. A assinatura mensal será igual ou menor ao custo atual.”

Susteras afirma que pretende democratizar o acesso à energia solar para todo o Estado de MG e depois para outras regiões do Brasil.

A Resolução Normativa 687/2015 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que permite o compartilhamento remoto de energia, foi um incentivo para que a VIS Technology desenvolvesse mais um projeto de energia solar fotovoltaica.

“Aproveitamos a resolução para montarmos o projeto Solar Net. Ele permite que o usuário final tenha energia solar fotovoltaica em sua casa, sem a necessidade de instalar placas em seu telhado”, diz Carlos Evangelista, um dos sócios da empresa.

Segundo ele, a usina da VIS Technology está quase pronta e foi instalada em Araçariguama, no interior de São Paulo. “O consumidor poderá comprar um pacote de energia solar como faz com TV a cabo, sem sair de casa, pela internet. Basta fazer um cadastro, definir login e senha e escolher o pacote desejado. Por meio da compensação tarifária prevista pela Aneel, ele receberá abatimento em sua conta de luz”, explica.

Evangelista exemplifica, “ um consumidor que paga R$ 400 por mês, após a assinatura pagará R$ 250. O total do abatimento vai depender do valor da assinatura. O pacote menor custará R$ 100 e o maior R$ 1.500.”

Carlos Evangelista da VIS Technology

Carlos Evangelista da VIS Technology

O empresário diz que em 2015 esse mercado cresceu 300% no Brasil, de acordo com a Aneel. “O País já tem 5.050 conexões em todo o território nacional e um potencial de 77 milhões de consumidores. Existe um estudo que aponta que em 2023 teremos 1,2 milhão de consumidores ligados na rede fazendo compensação de energia.”

Evangelista conta que o negócio foi fundado em 2002, com a criação de um equipamento contendo placas fotovoltaicas que seguiam o sol, maximizando a geração de energia. Entre 2010 e 2014, a VIS Technology ficou incubada no Cietec. Após ser graduada, a empresa manteve escritório de pesquisa e desenvolvimento nas dependências da incubadora e abriu sede comercial em Alphaville.

“Em 2014, submetemos um novo projeto no programa Acelera Startup, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Havia mais de dois mil inscritos e ganhamos o primeiro lugar como o melhor projeto de energias renováveis na área de construção.”

Segundo ele, o projeto batizado de gerador fotovoltaico móvel(GFM), é semelhante a uma carreta. “Ele contém baterias e placas solares e pode ser levado a locais onde não existe energia elétrica ou fica muito caro fazer as instalações. É ideal para ser usado em início de um empreendimento, quando ainda não tem nada no canteiro de obra.”

Ele afirma que o produto permite que qualquer empresa tenha energia limpa, silenciosa e renovável de forma instantânea e em qualquer local. “O projeto faz grande sucesso entre construtoras que estão preocupadas com a sustentabilidade.”

Evangelista diz que não industrializa o produto. “Nós desenvolvemos o projeto para as empresas de acordo com as suas necessidades. Por ser muito específico, não é produzido em série”, conta.
Entre os principais usuários, ele cita construção civil, indústria, engenharia civil, empresas de eventos, área médica, condomínios, área agrícola, etc. Segundo ele, a empresa tem 20 funcionários e dobrou de tamanho entre 2014 e 2016.

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